terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Choque na minha ordem

A primeira vez em um país desenvolvido a gente nunca esquece. Tá certo que ainda nao posso falar da Espanha, mas de León como cidade, sim, ainda que eu viva aqui há apenas quatro dias. Aí você faz cara de interrogaçao... León? Onde fica isso? Vos digo: essa é uma cidadezinha ao norte da Espanha, mais pra Portugal que pra França, que faz parte do caminho de Santiago de Compostela. Com cerca de 135 mil habitantes, funciona de acordo com o calendário da universidade, onde eu vou estudar.

Eu que sempre disse que as cidades pequenas nao me agradavam a longo prazo, já começo a mudar de ideia. Menos de uma semana é pouco pra sentir o que é viver em uma cidade bem menor que o Rio, mas nao me imagino cansada da vida que os próximos seis meses me prometem.

Porém, é distinta a diferença daqui para uma cidade pequena no Rio. Cabo Frio? Petrópolis? Aqui entra o tal do desenvolvimento que eu falei no início. Duvido que em algumas delas é possível encontrar ruas limpas, asfaltos sem buracos e motoristas conscientes, que param assim que você coloca o pé na faixa de pedestres. Juro que nao é lenda! Aliás, é possível que eu seja atropelada na primeira tentativa de atravessar a rua no Brasil, porque estou super mal acostumada.rs O lixo aqui é separado e nao dói fazer isso. Três lixeiras resolvem a "difícil" missao de colaborar com o meio ambiente.

Nao se trata de esquecer da nacionalidade com menos de uma semana de vida em Leon. Ainda me dá orgulho dizer que sou brasileira e carioca. Ainda mais quando as pessoas abrem aquele sorriso quando você diz de onde veio. Mas nao posso mentir... o choque é inevitável.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Mudanças por aqui

Serei breve, mas a intençao è nao deixar ninguèm sem notícias sobre o futuro deste blog tao simpàtico e divertido.rs

Explico pelos acentos, entao. A ausência ou troca deles està sendo causada por um teclado espanhol, que nao tem til, mas uma tecla especial de "ñ", e tambèm nao conta com o nosso quero acento agudo. Em pouco tempo estarei postando de um teclado tipicamente brasileiro e, aì sim, as coisas soarao menos estranhas.

Assim como o teclado è espanhol, meus textos e impressoes ganharao ares europeus durante os proximos seis meses. Nao considero esta uma mudanca editorial, mas prepare-se para encontrar coisas sobre cidades, monumentos e eventos da minha nova cidade e dos lugares por onde pretendo passar.

Mais feliz eu nao poderia estar, ainda que longe de tanta gente querida e do meu Rio de Janeiro, por quem eu confesso ser apaixonada (#falei!rs). Aliàs, uma das minhas despedidas se passou em Paquetà. Fico devendo um textinho vai. Paquetà, ainda que nao seja europeia, merece impressoes!

Por enquanto è isso. Sem fotos, sem textos efetivos, mas com uma vontade enorme de nao parar com o blog. Hasta luego!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

É pra frente que se anda

2009 foi bacana, vai. Ainda que a correria tenho me feito mais ausente do que eu gostaria, foi um bom ano para quem gosta de cultura. Está certo, para quem gosta e tem grana, porque os preços não foram assim amigáveis. Taí um bom pedido para o próximo ano: preços justos para shows, cinema e teatro, mesmo que isso signifique o fim da meia entrada. É bom o presidente se mancar porque as 50 pratas por mês, do projeto Vale-cultura, vai dar para comprar, no máximo, um livro do Paulo Coelho (Mentira! Dá para comprar cinco!rs).

Tenho sorte, confesso, de ser estudante e aspirante a jornalista (o que me deu algumas credenciais este ano). Por isso, vi muita coisa boa por aí. Claro que não contei tudo, mas me vêm na memória alguns shows e filmes, além de livros e filmes que me acompanharam nos últimos 365 dias. Aliás, quem sou eu para falar de Paulo Coelho se sou fã assumida da saga Twilight!? Este ano comprei e ganhei muito mais livros do que li, mas isso é culpa da faculdade. Dos concluídos, destaco Abusado, de Caco Barcellos (que, aliás, merece um texto póstumo).

No quesito audiovisual, acho que vi mais seriados que filmes e há quem diga que não me reconhece mais! Glee me conquistou e eu me assumi loser, enquanto True blood e Vampire Diaries entraram na lista na onda vampiro. One Tree Hill e o falecido Dawson's Creek continuaram no topo. Já Lost perdeu a preferência porque eu já não aguentava mais tanto vai e volta no tempo e desisti de entender o mistério da ilha. Quando acabar, alguém me conta, por obséquio. Dos filmes, destaco os nacionais "doc-musical": aplausos de pé para Herbert de perto, Loki e Fabricando Tom Zé (que é de 2007 e eu só fui ver agora).

No teatro, Clandestinos, de João Falcão, levou para o palco a tentativa das pessoas que vêm para o Rio em busca da fama. O texto é excelente e o elenco não só canta e dança, como toca na banda que acompanha os números musicais.

E nos shows... ah! Oasis mal-humorado me fez voltar no tempo (sabia que eu não podia morrer sem ver Champagne supernova ao vivo), assim como o Backstreet Boys, me fez gritar como uma adolescente desvairada. Radiohead me surpreendeu (aham, eu sou dessas hereges que acha Radiohead chato) e Los Hermanos me deu o melhor aniversário do mundo. Lavei a alma, apesar do som estar uma porcaria. Ver os hermanos se portando como tais, outra vez, foi incrível (e com direito a Cher Antoine!!)! O Little Joy, por sua vez, emocionou mais no final com Último romance na voz de um Circo Voador lotado... mas foi um ótimo show!



E, como é pra frente que se anda, um feliz 2010! Que ele venha com mais e mais coisas boas para nossos olhos e ouvidos.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Bombando no busão

A proliferação de celulares com MP3 acabou com o resto de educação do povo. Há uma dificuldade de entender que o adesivo que mostra um rádio riscado em vermelho significa a proibição de qualquer (eu disse qualquer) emissão de som. E daí? Como se não bastasse o ônibus cheio, aquele calor de 40 graus e o trânsito da hora do rush, sempre tem alguém para animar a viagem com um som responsa.

Porém, em tempos que sucedem a morte de Michael Jackson não são apenas os DJs de festinhas e os camelôs da cidade que amam o cara desde pequenininhos. Os portadores de celulares-radinho também aderiram ao som de MJ, poupando os ouvidos dos passageiros. Se temos que ouvir alguma coisa por tabela, melhor que seja uma boa música.

Obrigada, ó rei do pop!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Ritmo para o corpo e música para os olhos

Não faz tanto tempo assim a minha admiração por produtos nacionais, se compararmos o tempo que a música me acompanha. Como já disse, certa vez por aqui, que acho ótimo que eu tenha conseguido ver a graça da MPB. Mas não só dela, como da música em geral que é gerida por aqui.


O Móveis Coloniais de Acaju e o Teatro Mágico são bandas que se encaixam nesse gosto meu. Há pouco tempo, o Circo Voador juntou as duas bandas em um show que eu chamaria de histórico. Eu nunca pensei que a química das duas "mega" bandas funcionaria tão bem. Pense em trio de metais e flauta transversa junto com DJ, violino e percussão, além dos instrumentos básicos de uma banda. Presenciei uma festa, daquelas que as pessoas dançam e não se cansam.

O show celebrou a livre circulação da música, defendida com afinco pela trupe do Teatro. As duas bandas e a espanhola Tarântula, que abriu a noite, levantam a bandeira e disponibilizam seus álbuns online. Esta última carrega o peso de ter sido a pioneira neste tipo de prática. Ainda assim, nem tudo que está na rede é peixe. A banda começou esfriando aquela noite de muito calor no Rio. Com um som um tanto exótico, feito por vocal, um prato de bateria, uma guitarra e um sintetizador, eles se divertiram no palco, enquanto o público ansiava pelo fim do show. E olha que a galera foi educada, respeitando os desconhecidos músicos.

Já a banda de Brasília fez um show empolgado e empolgante, como já é de costume. Relembraram as músicas do (excelente) primeiro disco e tocaram as novas, do último trabalho. No fim do show, a tão esperada roda de Copacabana aconteceu mesmo com o Circo colocando gente pela culatra! Antenelli, já caracterizado, também participou do momento mais legal do show.

O Teatro também veio com as músicas mais recentes, do CD Segundo ato. A trupe fez um show catártico, que emocionou os seguidores da banda. Os fãs entram tanto no clima que usam nariz de palhaço e pintam a cara. Junto com as músicas, malabares e acrobacias ajudaram a dar ritmo à apresentação. E no final, o Teatros Coloniais Mágicos de Acaju se juntou no palco para dar aquela canja, de cara pintada.

Enquanto o Móveis levou a alegria, o Teatro foi com a poesia. Música para os olhos, que se enchiam com cada malabarismo que enfeitou as canções. Ritmo para o corpo, que não conseguia parar com aqueles tantos caras animados. O calor não era nada e o Circo ficou pequeno para tamanha celebração.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ao rei

"And this is it", concluiu Michael Jackson ao anunciar seu retorno aos palcos, depois de dizer que apenas tocaria o que os fãs gostariam de ouvir. A simplicidade da expressão não cabe quando se trata de MJ e, sendo assim, It é muita coisa. Seja pela história e carreira trilhada pelo rei do pop, ou por sua morte precoce ou pelo (quase) show, que estava lá engatilhado, perfeito como o homem gostava.

Em duas horas de documentário é possível se apaixonar pelo artista Michael Jackson, que dança incrivelmente e transpira musicalidade. Também é possível admirar a pessoa MJ, que se mostra educada, carinhosa e ecologicamente correta. Depois de prolongada por mais duas semanas, a exibição de This it it merecia ter sessões lotadas. Não conheço ninguém que não mereça bater o pézinho durante as músicas, querer cantarolar pelo menos um verso e morrer de vontade de sair de moonwalk do cinema.

sábado, 28 de novembro de 2009

Muda!

A vida de um indíviduo sofre, no seu decorrer, diversos cortes secos, capazes de mudar seu rumo. A peça de Christiane Jatahy, Corte Seco, que estreiou ontem no teatro Sergio Porto, trata exatamente disto. Nela, o público é colocado diante de algumas histórias que podem ser contadas através de diálogo, narração, caracterização ou interiorização. O curso delas é interrompido pela própria diretora, que fica "visível" junto a equipe técnica do espetáculo. (Me lembrou aquela prova de stand-up comedy que diz "muda!". O espírito é mais ou menos esse.) No elenco, Du Moscovis, Branca Messina e mais oito atores incríveis.

Tudo se mistura: personagem e ator, história real e ficção, ensaio e peça propriamente dita. A isso, se juntam imagens captadas por câmeras espalhadas pelo espaço do centro cultural Sérgio Porto, transmitidas ao público por meio de três telas LCD, dispostas no palco. Acompanhar toda esta parafernalha, como espectador, se mostrou um exercício agradável. A rapidez com que tudo acontece combina perfeitamente com o modo de vida contemporâneo e acredito que isso faça com que a peça seja ainda mais interessante, pois permite a diversidade de (picotados) casos contados.

Saí pensativa... será que ainda é possível assistir a uma peça clássica, montada de forma clássica, sem ficar entediado? Tenho a impressão que não. Como Felipe (Abib, ator) diz em um surto durante a peça, é muito Ipod, Itouch, e-mail, Hotmail, Gmail, Google Maps, Google Earth. Estamos acelerados demais e isto não é um problema. A arte segue o ritmo e se adapta tranquilamente.